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29 de Março de 2020

Delação premiada ou Black Friday?

O perigo da instabilidade nas relações pessoais com a nova onda da Delação premiada.

Morgana Lourenço, Estudante de Direito
Publicado por Morgana Lourenço
há 3 anos

Delação premiada ou Black Friday?

Alvo de inúmeras fases da operação Lava Jato, o Brasil tornou – se uma segunda operação mãos limpas, que outrora foi utilizada como embasamento para esta, sendo realizada em Milão na Itália, cujo objetivo era a investigação da corrupção no então Pais.

Com a publicidade e proporção que a operação foi tomando em todas as esferas, tendenciosamente era esperado os relatos como se fossem um grito desesperado de independência: ‘’Delação premiada ou morte’’. Essa consistia no popular ‘’jeitinho brasileiro’’ de tirar o corpo fora.

Outrora benefício de deputados, governadores, senadores e envolvidos na operação adornados pela prerrogativa de foro, a mesma fora instalada com o objetivo de alcançar mais envolvidos, captando a verdade real pelo depoimento pessoal.

O que não se esperava é que sairia do poder judiciário, executivo e legislativo, para atingir o poderio popular. A eficácia do ‘’ é cada um por si, Deus por todos’’ jamais fora mensurado, e que seria o mais novo método de defesa em todos os ramos da sociedade.

A delação premiada cotidiana nas relações humanas já é tão esperada e certa quanto a sexta-feira negra, Black Friday. Esta se tornou tão popular quanto, atingindo todos em forma de ‘’promoção’’ do bem que me auferir.

Já não é mais novidade que chefes, colegas, empresas utilizam se da delação em forma de ‘’promoção’’ para atingir os seus fins particulares, e que tornou – se tão popular e cômodo que faz parte do nosso cotidiano, onde o foro privilegiado e utilização deste método não é mais benefício somente de políticos, mas sim de todo aquele que visa algum benefício.

Destaca – se que a ‘’Delação Black Friday ‘’ tem o mesmo cunho, atingir o alvo e o captar chegando a mesma proporção, ou seja, todos já esperam, e a promoção é certa, mas a pergunta a se fazer é: - O Brasil está preparado para delação popular?

Será que a nossa população, outrora costumeira a resolver as intempéries através de marcos civis, evoluído para a mecanização do diálogo posteriormente está preparada para enfrentar as delações particulares em todos as áreas vivenciadas?

A delação premiada não é mais passível de controle uma vez que coincidente com a incapacidade de produzir e captar prova técnica essa admite seu inquisitório nas relações humanas e pessoais, sendo banalizada a não ser mais extraordinária, chegando as relações empregatícias, estudantis e mesmo pessoais.

A utilização crescente dessa a envolver a parte hipossuficiente das relações é degradante, colocando em ‘’ xeque-mate’’ a moral, ética, e dignidade da convivência social, pessoal, profissional, expondo a população em geral a necessidade de correlatar a conduta/ ilícito do oponente, para manter seu emprego, vínculo ou outro.

O retrocesso da capacidade de organizar, administrar e coordenar as relações e atribuições sem a demandada delação na esfera popular, demonstra a necessidade de uma reforma no ponto de vista, onde não podemos deturpar e utilizarmos das delações como promoção, nem torna – lá costumeira a ponto que a moral, ética e a própria palavra do cidadão vire segunda opção.

Não! O Brasil não está preparado!

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